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O mundo dá adeus ao Papa da Juventude.
Na tarde de 16 de outubro de 1978, após dois dias de deliberações, o colégio cardinalício chegou a acordo sobre o nome do novo papa. O escolhido, um polonês, não era conhecido da maioria dos católicos. Jornalistas especializados na cobertura de assuntos do Vaticano nem haviam incluído seu nome nas listas dos papáveis. Ele também não aparecia no material da assessoria de imprensa da cúria romana, com as biografias dos 36 cardeais com maiores chances de serem eleitos.

Nas horas e dias seguintes, porém, emergiriam da Polônia histórias de um homem que parecia ter passado toda vida preparando-se para aquela missão. Poucos líderes religiosos de sua época destacaram-se como ele no trabalho pastoral, intelectual e político.

João Paulo II nasceu no dia 18 de maio de 1920, na pequena cidade de Wadowice. Recebeu o nome do pai, Karol Wojtyla, oficial reformado do exército polonês, católico, de hábitos reservados. Sua mãe, Emilia, era uma dona-de-casa de saúde frágil, melancólica, que não se conformava com a morte de uma filha, recém-nascida, em 1914. A infância e a juventude do futuro papa foram marcadas pela tragédia familiar. Em 1929, pouco antes de completar o nono aniversário, ele perdeu a mãe, vítima de uma doença nos rins. O irmão mais velho morreria dois anos depois, com escarlatina. A morte do pai, que o mergulharia numa profunda sensação de solidão, ocorreu semanas antes de Karol completar 22 anos. Ele ficou sozinho, sem parentes.

Nesta época já era universitário em Cracóvia e sonhava com uma carreira na área artística. A vocação sacerdotal despertou num período difícil, logo após a invasão da Polônia pelas tropas de Hitler. Trabalhava durante o dia como operário numa fábrica de soda cáustica e à noite tinha aulas com os padres. Nessa época sofreu um acidente que deixou de frente com a morte. Atropelado por um carro de guerra alemão, teve uma concussão cerebral e ficou inconsciente durante nove horas. Foi ordenado padre no dia 1 de novembro de 1946. Tornou-se bispo aos 38 anos, depois arcebispo.

Wojtyla iniciou o pontificado com 58 anos, uma idade baixa para os padrões da Igreja. Desde 1846 não se escolhia um papa tão jovem.

Em suas viagens apostólicas, chegou a visitar até quatro países de uma vez e quis ser ouvido no mundo inteiro, não só pelos católicos. As tragédias pessoais, porém, continuaram a perseguir o pontífice. No final da tarde do dia 13 de maio de 1981, o papa foi vítima de um atentado terrorista, na Praça de São Pedro. A bala desviou-se por milímetros da aorta central. Mas o papa teve o cólon e o intestino perfurados e perdeu 60% do seu sangue com a hemorragia interna.

Com 74 anos, começou a dar sinais de enfraquecimento geral. O tremor em sua mão esquerda, cada vez mais acentuado, sugeria que sofria com o mal de Parkinson. Porém, via no seu sofrimento uma oportunidade de provação e fortalecimento da fé.

O mundo dá adeus a um grande líder, humanista e político, que embora conservador e devocionista, moveu a Igreja pela idéia inabalável de sua missão: a de conduzir a Igreja.

E fez isso até o fim. 
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