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 Extraído do Livro ''O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará''
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DEMAIS
Gravadora: B
MG ( Nº 150.0028 e CD No. 10.142)
Lançamento: 1993 (LP/CD)

Vingança (Lupicínio Rodrigues)
Gente Humilde (Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque)
Alguém Como Tu (Jair Amorim e José Maria Abreu)
Minha Namorada (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)
João Valentão (Dorival Caymmi)
Eu Sei Que Vou Te Amar (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Dindi (Tom Jobim e Aloísio de Oliveira)
Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria)
Nunca (Lupicínio Rodrigues)
Ronda (Paulo Vanzolini)
Brigas (Evaldo Gouveia e Jair Amorim)
Da Cor do Pecado (Bororó)
Demais (Tom Jobim e Aloísio de Oliveira)
Folha Morta (Ary Barroso)

 

         Raimundo Fagner passou quase dois anos sem lançar um novo disco. De setembro de 1991, quando foi lançado o elepê ‘‘PEDRAS QUE CANTAM’’ a maio de 1993, foram vinte meses de gestação para que o disco ‘‘DEMAIS’’ (BMG, No. 150.0028 e CD No. 10.142) ficasse pronto. Mas quando as rádios do País começaram a tocar Eu Sei Que Vou Te Amar, a primeira música de trabalho do álbum, a Sony Music, antiga gravadora de Raimundo Fagner, começou a colocar no mercado os seus antigos discos, tanto em vinil como no formato CD, como ‘‘ORÓS’’ (1993, No. 184.035/1 e CD No. 746.035/2-464.336), ‘‘QUEM VIVER CHORARÁ’’ (1993, No. 184.034/1 e CD No. 746.034/2-464.335) e ‘‘BELEZA’’ (1993, No. 184.041/1 e CD No. 746.041/2-464.342).
         A gravadora Som Livre também lançou uma copilação de sucessos de Raimundo Fagner (1993, No. 400.1234) com as músicas Revelação, Fanatismo, Años (com Mercedes Sosa), As Rosas Não Falam, Pensamento, Cebola Cortada, Noturno, Eternas Ondas, Quem Me Levará Sou Eu, Traduzir-se, Último Pau-de-Arara, e destaque para Mucuripe, a mesma gravação incluída no elepê ‘‘10 ANOS’’, de 1984.
         Sobre as copilações Raimundo Fagner deu um depoimento ao jornalista Luciano Almeida, do Diário do Nordeste, em 28 de maio de 1993: ''Eu não concordo quando eles ficam lançando compilações pra enganar o público, como se fosse um disco novo. Relançar um disco, acho que faz parte. Todo artista quer ver seus discos relançados. Agora esses discos de compilação é que a gente fica realmente insatisfeito, porque é uma armação para o público desavisado. Elem botam uma foto bonita, uma foto nova e fica achando que é um novo disco do artista. Todo o momento que eu lanço um disco novo que está começando a fazer sucesso, a Sony vem e relança uma copilação. É uma verdadeira sacanagem, eu não posso concordar com isso. Agora, quanto a relançar meus discos, acho que a gravadora tem que relançar mesmo porque o público quer. Me parece que a Sony está sem artista e sem vender discos. A minha conta ainda é gorda lá.''

         A idéia do disco ‘‘DEMAIS’’, de reviver os principais temas da Bossa Nova e do samba-canção já vinha tomando corpo há muito tempo, e foi amadurecendo com o tempo. Mas primeiro foi preciso esquecer as mágoas e restabelecer uma antiga amizade com o músico Roberto Menescal.



         ''O reencontro com Roberto Menescal depois de 21 anos, pintou a partir do momento que eu ia gravar o novo disco e estava querendo encontrar uma pessoa para trabalhar com quem tivesse afinidade. Uma pessoa que pudesse dividir comigo esse trabalho, já que não estou tão desocupado, tenho feito muitos shows. Numa conversa com Ronaldo Bôscoli, ele disse ‘Puxa! o Menescal seria uma boa, vocês já trabalharam juntos...’. Então, do dia que a gente se falou até o disco ficar pronto foi exatamente um mês. Foi rápido, foi experiência que somou muito. Praticamente comecei com ele. Foi quem me ensinou a produzir. Passamos esse tempo todo sem ter relacionamento devido a companhia, que ele era diretor. E agora nos reencontramos num momento de muita maturidade. Realmente, estou muito satisfeito porque foi altamente positivo e bonito, depois de vinte anos.
         São canções que marcaram a história da música Popular no Brasil. Eu vinha com a idéia de fazer um disco de serestas já há muito tempo. E ainda tem um projeto com a Nana Caymmi de fazer um show em cima de samba-canção, que já estava rolando este ano. Já tinha até começado a selecionar as músicas. O Menescal chegou também com a idéia do projeto. A gente veio trabalhar em cima do meu disco novo, que já estava com praticamente 70% do repertório pronto, e ele sugeriu ‘por que não fazer este disco’. Senti que tinha muito a ver, primeiro porque já vinha com essa idéia. Tinha a necessidade de refazer essas músicas que marcaram minha vida musicalmente, coisas que sempre gostei desde garoto. E trazer à tona esse lado da música brasileira de autores que não são mais tocados. Músicas que foram clássicos e que estão defasadas tecnicamente. A maioria delas não podem mais tocar no rádio porque são gravações antigas. Então, essa é uma maneira de trazer essas músicas para a atualidade. É um disco com uma gravação impecável, de arranjos fantásticos, um tratamento realmente de primeira linha. É uma forma de ressaltar a música popular, o samba-canção, que é uma coisa bem brasileira. Trazer à tona isso, seria um estímulo também aqueles que fazem a música popular, o samba-canção, o bolero, enfim. Acho que é uma coisa de valorizar a música brasileira na sua essência de canção popular.'' (depoimento a Luciano Almeida Filho, Diário do Nordeste, 28/5/93 )

         Mas ‘‘DEMAIS’’ não é um disco de carreira. É um projeto surpreendente de intérprete, onde Raimundo Fagner resgata clássicos da música popular brasileira. São realmente canções antigas, obras primas de geniais compositores e imortalizadas por outros grandes cantores do Brasil como Linda Batista que em 1951 registrou Vingança, de Lupicínio Rodrigues; como Gente Humilde (Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque) gravada em 1970 por Ângela Maria; como Dick Farney, o principal intérprete de Alguém Como Tu (Jair Amorim e José Maria Abreu) gravada em 1952; como Minha Namorada (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes), gravação de 1963 com Os Cariocas; João Valentão, de 1953, uma das principais criações do baiano Dorival Caymmi; ainda Eu Sei Que Vou Te Amar (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) lançada em 1952 com Maria Creuza e Vinícius; ou Sylvia Telles que gravou Dindi ( Tom Jobim e Aloísio de Oliveira) em 1959. Ainda estão no elepê Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria), Nunca (Lupicínio Rodrigues), Ronda (Paulo Vanzolini), Brigas (Evaldo Gouveia e Jair Amorim) Da Cor do Pecado (Bororó) e Demais (Tom Jobim e Aloísio de Oliveira). A versão em CD tem uma música a mais - Folha Morta, de Ary Barroso.

         
‘‘Eu precisava repartir com vocês a identidade brasileira do samba-canção, que é o nosso jeito de transar tudo’’. Palavras de Raimundo Fagner na abertura do show promovido pela gravadora BMG/Ariola no dia 2 de junho de 1993, no Golden Room do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, para a apresentação do repertório do disco ‘‘DEMAIS’’ aos convidados especiais que compareceram ao evento como Ciro Gomes e Tasso Jereissati, Elke Maravilha, Elba Ramalho, Lobão, entre outros.
         Acompanhado de banda - e ao lado do parceiro Roberto Menescal - além de Ronda, Demais e Eu Sei Que Vou Te Amar, Raimundo Fagner apresentou alguns dos seus principais sucessos como Noturno, Borbulhas de Amor e Revelação; e sozinho ao violão reviveu Mucuripe, Penas do Tiê e Canteiros.
         Um final de semana antes, dia 30 de maio, Raimundo Fagner fez o lançamento oficial do disco ‘‘DEMAIS’’ no programa do Faustão cantando Eu Sei Que Vou Te Amar, apresentando um pot-pourri com as músicas Minha Namorada, Gente Humilde, Nunca, Brigas, e revivendo somente ao violão um pot-pourri com Canteiros, Noturno, Deslizes, Pedras Que Cantam, Borbulhas de Amor, e Cabecinha no Ombro.
         Após a festa de lançamento do álbum no Golden Room do Copacabana Palace, Raimundo Fagner permaneceu no Rio de Janeiro iniciando uma temporada de apenas dois dias no Canecão (7 e 8/junho). Quatro dias depois já estava na cidade de Barbalha, no interior do Ceará para as festas de Santo Antônio. De lá seguiu para Recife, onde no dia 20 de junho de 1993, gravou o programa ‘‘Som Brasil’’ ao lado de Alceu Valença, Reinaldo Belo, André Rio, Cristina Amaral, Geraldo Azevedo, Bubusca Valença, Robertinho de Recife, Elba Ramalho e Leandro e Leonardo. Três dias depois, de surpresa, Raimundo Fagner apareceu no arraial do Cais da Alfândega, onde Elba fazia um show. Deu uma ‘‘canja’’ cantando cinco músicas. Dia 28 de junho, Raimundo Fagner já estava no palco do Palladium - Caruaru, apresentando um show com os maiores sucessos de forró, ao lado de Jorge de Altinho e a Bandinha do Camarão.
          Depois dessa maratona de apresentações, Raimundo Fagner retornou ao Ceará, e é claro, para um merecido descanso em Orós.

Discografia