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 Extraído do Livro ''O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará''
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O QUINZE
Gravadora: B
MG ( Nº 150.0006 e CD Nº 10.067)
Lançamento: 1989 (LP/CD)

Cidade Nua (Fagner e Fausto Nilo)
Desfez de Mim (Michael Sullivan e Paulo Massadas)
Retrovisor (Fagner e Fausto Nilo)
A Doce Canção de Caetana (Nélida Piñon, Papi e Luiz Diniz)
Amor Escondido (Fagner e Abel Silva)
A Chama Azul de um Blues (Tunai, Murilo Antunes e Ronaldo Bastos)
Oração de São Francisco (Padre Irala)
Tortura de Amor (Waldick Soriano)
As Dores do Mundo (Hyldon)
Não Me Deixes Mais
(vs: Fausto Nilo/Ne Me Quitte Pas, de Jacques Brel)
Joana Francesa
(Chico Buarque)
Mucuripe (Fagner e Belchior)
Amor e Crime (Francisco Casaverde e Belchior)
Respeita Januário/Riacho do Navio/Forró no Escuro
             (o mesmo fonograma de 84)
Estrada de Canindé (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

 

         Raimundo Fagner mudou. Dos cinco mil exemplares vendidos do álbum de estréia de 73, ao estrondoso sucesso de mais de um milhão do ''ROMANCE NO DESERTO'', foi uma longa caminhada. Raimundo Fagner amadureceu. Aperfeiçoou-se. E o novo elepê ''O QUINZE'' é a prova disso.
         O título do disco - ''O QUINZE'' - ao mesmo tempo em que indica ser o décimo-quinto de sua carreira, faz também menção ao famoso livro da cearense Rachel de Queiroz. O disco foi pensado para ser lançado simultaneamente com o filme homônimo do cineasta Augusto Ribeiro Junior. Mas depois de muitas especulações sobre o elenco (o cantor chegou inclusive a ser cogitado para ser o protagonista do filme), atrasos e problemas com a produção, o disco de Fagner saiu, o filme, não.
         Lançado no dia 19 de outubro de 1989, com produção do próprio Fagner e co-produção de Michael Sullivan, ''O QUINZE'' (BMG, No. 150.0006) tem onze faixas. As inéditas são: Cidade Nua (Fagner e Fausto Nilo), Desfez de Mim (Michael Sullivan e Paulo Massadas), Retrovisor (Fagner e Fausto Nilo), A Doce Canção de Caetana (Nélida Piñon, Papi e Luiz Diniz) com a participação de Michael Sullivan, Amor Escondido (Fagner e Abel Silva), A Chama Azul de um Blues (Tunai, Murilo Antunes e Ronaldo Bastos) e Oração de São Francisco (Padre Irala). E quatro regravações: Tortura de Amor, clássico na voz de Waldick Soriano, gravada em 1974; As Dores do Mundo, de Hyldon (um dos principais expoentes da soul music brasileira no final dos anos sessenta, ao lado de Tim Maia e Cassiano); Não Me Deixes Mais, versão de Fausto Nilo para Ne Me Quitte Pas, de Jacques Brel; e a releitura de Joana Francesa, mais uma vez com a participação especial de Chico Buarque. Na versão em CD (No. 10.067) foram incluídas mais cinco músicas: Mucuripe (mais uma releitura de Fagner), Amor e Crime (Francisco Casaverde e Belchior), Cidade Nua (versão instrumental com Márcio Montarroyos), o pot-pourri Respeita Januário/Riacho do Navio/Forró no Escuro (o mesmo fonograma de 84) e Estrada de Canindé (o mesmo fonograma de 88), ambas com a participação de Luiz Gonzaga. E, embora conste na capa o nome da música Demônio Sonhador, ela não não foi incluída no CD.
         Entre os músicos participantes estão no disco Márcio Montarroyos, Julinho Teixeira, Manassés, Robertinho de Recife, Fernando de Souza, Chiqueinho do Acordeon, Carlinhos de Souza, Ubirajara da Silva, Rildo Hora, Carlinhos Bala, Renato Ladeira, Roberto Lee e Lincoln Olivetti, responsável pela maioria dos arranjos, teclados e programação de computador do disco. Nos vocais estão Ronaldo Corrêa, Roberto Corrêa, Renata Moraes, Fabíola Pires, Solange, Nina e Zé Henrique.
         ''O QUINZE'' foi um sucesso de vendas. Vendeu mais de 500 mil exemplares, colocando várias músicas nas paradas de sucesso como Desfez de Mim, Retrovisor, Amor Escondido e As Dores do Mundo. Mesmo assim, a crítica musical (?), novamente, tentou logo rotular Raimundo Fagner como cantor ''brega'. É sempre assim: se um artista não consegue vender bem é elite, mas se chega ao povão, é popular demais, usando a palavra ''brega'' em sentido pejorativo.
         Mas será que existe um limite, ou uma separação entre a música popular e a que os críticos rotulam de brega? Ou ser cantor de música popular, entre aspas, é ser diferente do artista que chega até o povão, até a grande massa da população brasileira? Chegar ao povão, com seu canto, não será o grande sonho de qualquer artista? Ser um artista popular é ser brega? Afinal, qual o artista que não quer vender mais de um milhão de discos? São perguntas. Os críticos de música no Brasil, têm a resposta.

         ''Tenho feito discos dirigidos ao povo que gosta de música, - diz Fagner - que gosta da tradição da música brasileira, da canção, do sentimento. Por causa de 'ROMANCE NO DESERTO', fiquei dois anos sem gravar, trabalhando as faixas Deslizes, À Sombra de um Vulcão e Ansiedade.
         'O QUINZE' começa com um passeio, meu e de Fausto Nilo, na música Cidade Nua. É música forte, atualíssima, que fala em ecologia, dos problemas com desmatamento, crianças nas ruas, fazendo com que o Brasil chegue às manchetes do mundo inteiro. Cidade Nua também recebeu uma versão instrumental com Márcio Montarroyos que só foi incluída no CD. E uma faixa, com realce, engrandece o texto do novo disco. A Doce Canção de Caetana, um poema de Nélida, cantado por mim, que já tive a alegria incontida de produzir música para escritores do porte de Fernando Pessoa, Bandeira, Cecília Meireles e Florbela Espanca.
         Eu estava no estúdio de gravação e ouvi o Nelson Gonçalves cantando Tortura de Amor. Me apaixonei de cara. Já a versão para Ne Me Quitte Pas talvez tenha sido a mais emocionante. Procurei fazer com que as palavras fossem ditas com clareza, numa interpretação à altura do poema de Brel e da versão de Fausto, que considero muito feliz.
         Em linhas gerais, este é um disco sem estilo e sem modos. É um disco onde música é música, seja ela qual for: um rock, uma canção, um clássico. Um disco mais demorado, que deu mais trabalho, mas que a gente curtiu mais. Cada acorde, cada instrumento, cada colocação. Tudo isto de uma forma bem apurada, porque o 15
º disco não é brincadeira não. Estou certo que este trabalho vai fazer a cabeça, mostrar o que estou fazendo, o sentimento que tenho com o meu trabalho e a música brasileira.''


                                                            * * * *

         Marina, Caetano Veloso, Djavan, Lulu Santos, e especialmente Elisete Cardoso e Cazuza, foram alguns vencedores terceira edição do Prêmio Sharp de Música Popular, realizado no Hotel Nacional, na memorável noite do dia 18 de agosto de 1990.
         Na categoria canção popular, o prêmio de ''Melhor Arranjador'' foi para Lincoln Olivetti, pelo álbum ''O QUINZE'', de Raimundo Fagner. ''Melhor Cantor'': Raimundo Fagner; ''Melhor Disco'': ''O QUINZE''; ''Melhor Música'': Amor Escondido (Fagner e Abel Silva). Raimundo Fagner ainda faturou o prêmio de ‘‘Melhor Disco Regional’’ com o álbum ''GONZAGÃO & FAGNER VOL.2''.
         Paulinho da Viola, dos sete prêmios, na categoria samba, conquistou quatro: ''Melhor Arranjador'', ''Melhor Cantor'', ''Melhor Disco'' e ''Melhor Música'' com Eu Canto Samba. Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, recebeu o troféu de ''Melhor Música de Rock'' para Cobaias de Deus. Caetano Veloso recebeu os prêmios de ''Melhor Cantor de MPB'', e ''Melhor Disco'' com o álbum ''ESTRANGEIRO''. ''Melhor Cantora de MPB'': Elisete Cardoso (com o disco ''ARI AMOROSO''); ''Melhor Disco de Pop-Rock'': ''POP SAMBALANÇO'', de Lulu Santos; ''Melhor Cantora de Pop-Rock'' e ''Melhor Disco'': Marina Lima com o álbum ''PRÓXIMA PARADA''; ''Melhor Música do Ano'': Oceano, de Djavan;
         A cantora Maysa foi a grande homenageada na noite do III Prêmio Sharp de Música Popular, com vários artistas cantando músicas que marcaram sua carreira - interrompida por um acidente de carro na ponte Rio-Niterói, no dia 22 de janeiro de 1977 - como Ouça e Meu Mundo Caiu. Raimundo Fagner cantou Franqueza, de Denis Brean e Oswaldo Guilherme, gravada por Maysa no início dos anos sessenta.


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. Amor Escondido, a primeira música de trabalho e carro-chefe do disco ''O QUINZE", incluída na novela da Rede Globo ''Tieta'' (1989, Som Livre, CD No. 401.0065) exibida de agosto de 89 a março de 90, tornou-se o nono tema interpretado por Raimundo Fagner a ser incorporado em trilha sonora. A propósito, a versão de Amor Escondido incluída no disco da novela é diferente da que está no ''O QUINZE'', não só na questão de tempo de duração (2:42 contra 4:17) como na gravação final da música.

Discografia