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 Extraído do Livro ''O Caminho das Pedras - A Saga do Pessoal do Ceará''
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PALAVRA DE AMOR
Gravadora: CBS
(Sony Music, Nº 138.254)
Lançamento: 1983 (LP)

 

Guerreiro Menino (Gonzaguinha)
Visagem
(Fagner e Fausto Nilo)
Contigo (Fagner e Ferreira Gullar)
Palavra de Amor (Manassés e Fausto Nilo)
Viajante (Jorge Mautner)
Intuição (Clodo, Clésio e Climério)
Sertão Azul (Petrúcio Maia)
Acalanto e Paixão (Nonato Luiz e Capinan)
Fábula (Climério)
Prelúdio Para Ninar Gente Grande (Luiz Vieira).

 

        O disco de 1983 de Raimundo Fagner - ‘‘PALAVRA DE AMOR’’ - veio em tons de cinza. Um disco romântico, vibrante, um disco de preguiça, porém universal - nas palavras do artista. Guerreiro Menino (Um Homem Também Chora), de Gonzaguinha, a primeira música de trabalho e carro-chefe do álbum virou tema da novela ‘‘Voltei Pra Você’’ (lançada em disco Opus/Columbia, 1983, No. 412.064) da Rede Globo.
        
O álbum ‘‘PALAVRA DE AMOR’’ (CBS, No. 138.254) - dedicado às Bodas de Ouro dos pais -, lançado em agosto de 1983, tem 10 faixas, dessas, Fagner assinou apenas duas e em parceria: Visagem, com Fausto Nilo (já gravada por Ronnie Von no elepê ‘‘SINAL DOS TEMPOS’’ em 1981) e Contigo, com Ferreira Gullar. As outras faixas são Palavra de Amor (Manassés e Fausto Nilo), Viajante (Jorge Mautner), Intuição (Clodo, Clésio e Climério), Sertão Azul (Petrúcio Maia), Acalanto e Paixão (Nonato Luiz e Capinan), Fábula (Climério) e Prelúdio Para Ninar Gente Grande (Luiz Vieira).
        O disco teve várias participações especiais como o grupo Roupa Nova em Palavra de Amor, Chico Buarque em Contigo, e Nil Caatinga’s em Acalanto e Paixão. Entre os músicos participantes do disco estão as feras do Roupa Nova (Cleberson Horsth, Ricardo Feghali, Kiko, Paulinho, Nando, Serginho), César Camargo Mariano, Eduardo Souto, Reinaldo Arias, Helvius Vilela, Manassés, Jamil Joanes, Paulinho Braga, Chiquinho do Acordeon, Chico Batera e Leo Gandelman.


                                                                        FRANCISCO RODRIGUES

        ''São dez anos de uma luta longa e cada vez mais intensa. Desde quando aquele menino-grande chegou do Ceará e viu uma cidade maravilhosa nem tanto. Havia muita batalha pela frente e ele queria mais. Passou por Brasília e venceu festivais, universitários ou não, da canção, da vontade de vencer. Montado num cavalo-ferro, não temer o que viesse. Isso ele nunca sentiu - medo - passou por muitas querendo experimentar todas. Manera, fru-fru, manera. E colheu flores dos primeiros canteiros, as primeiras que desabrocharam. Rio e São Paulo já sabiam do filho forte de Fortaleza que trazia um novo som, lamento e alegria, agreste e sofisticado, para os filhos do Sul. Quem viver sentirá. Vou levar minhas mágoas pras águas fundas do mar, pensou. Seu coração de ave não agüentava tanta solidão. E encontrou Belchior, Ednardo, amigos poetas Fausto, Brandão, Bezerra, Capinan, o apoio de Nara, Bôscoli, uma união de forças. Um sorriso ingênuo e franco de um rapaz novo, encantado, com vinte anos de amor. Aquela estrela era dele. Muita fé, dentro de si e dos amigos. Estavam lá Chiquinho de Moraes, Paulo Moura, Paulo Machado, Wagner Tiso, Toninho Horta, Lulu Santos, dentre outros. E os inseparáveis Robertinho Silva, Luiz Alves, Robertinho de Recife, todos no mesmo barco. A ave noturna saiu para ver a luz do dia. E extasiou a todos, trabalho após trabalho. Um dia pousou no nosso ninho e mudou nosso destino. Chegaram a dizer que nós éramos cearenses bem sucedidos. Com tanto talento, ora, nada mais justo.
        O primeiro álbum - RAIMUNDO FAGNER - marcou época. Começaram shows após shows. No MAM do Rio, uma multidão que não deixava sequer espaço pra enxugar a lágrima. Assistimos e nos emocionamos. Era um canto muito sincero, embalado pela poesia florescente de uma nova geração de talentos. Um novo som que vinha do Nordeste, que não tinha nada de mofo. Brasileira a minha alma, rara experiência. Eu vou indo, e você, tudo bem? Não quero saber quem sou, morro de medo, nem quero saber aonde vou, é muito cedo. Eu tenho o mesmo segredo dos malditos solitários.Mas sempre cultiva as melhores amizades. E ousou mais, chamou Hermeto Paschoal para dividir as honras do novo álbum. ORÓS era uma experiência diferente, rara experiência. Sem belas e padronizadas imagens. Pouco depois, na inversão das letras, reuniria a fina flor do novo jeito brasileiro em SORO, uma festa de arte pura, do disco às lâminas gráficas. Eu não sei viver de outro jeito a não ser desse jeito, destino cigano. Mas gente amiga no terceiro elepê: Pedro Soler, Alceu Valença, Amelinha, Dino Sete Cordas, Manassés. QUEM VIVER CHORARÁ. Uma seresta pop? Pouco depois, no Teatro João Caetano, o vislumbre da confirmação: um show quase inteiro ao som de violões, violas, ao embalo das cordas. A televisão no seu caminho, norte a sul. Não acredito mais no fogo ingênuo da paixão. Juntar essas migalhas para refazer o pão. Beleza. De mãos dadas com João Donato, para muitos o grande responsável pela transformação do nosso som no início da segunda metade do século. O furor de muitas centenas de milhares de discos, o País inteiro admirava e queria, precisava. Ginásios lotados em toda parte. É porque multidões ele foi arrastar. Os corredores da vida eu já sei de cor. Europa elogiava, tempos depois que ele já mostrara aos franceses seu jeito peculiar de compor e cantar. Joana, a Francesa, de mãos dadas com Chico, sabia disso. Antes, porém, Elis fizera de Mucuripe a primeira abertura, abrira inclusive as portas do seu convívio. Ela tinha um faro especial para detectar o que era (é) bom. Nordeste andaluz ou Andaluzia nordestina? Fagner desconfiou, descobriu. Foi lá para conferir Um corazón alado voou, qual ave do sol radiante, chegou, comunicou-se e venceu. Estavam todos lá: Serrat, Mercedes, Manzanita, Alberti, Camarón, e todos queriam participar. Histórico. TRADUZIR-SE (com Z ou com C) era bem mais que apenas um disco. Uma idéia sonora. Que saiu da Espanha, conquistou o Brasil e espalhou-se pela América Latina. Além fronteiras. Tudo é verdade, coração, desde que sintas, desde que não mintas jamais. Desde que não pares de sentir. New York, New York, here I go! No Record Plant, um dos melhores estúdios do mundo, Fagner cumpria nova meta. Qualquer música, todas reunindo a nata dos melhores: Samborn, Brecker, Faddis, Soloff, Malone, Rubin, Young, Bluiett, Schwartsberg, Paco de Lucia e, claro, Laudir, Naná, Airto, Flora, Sérgio, Olivetti, Joanes e Manassés. Ai, coração, faz o teu fogo arder naquele abraço amigo. O mais importante: ter e fazer amigos. Assim foi desde o começo, assim será sempre. Dez anos depois do primeiro álbum, o menino-grande transformou-se no guerreiro-menino, de batalha em batalha, procurando vencer todas com sua obstinação e o seu talento. Sempre uma palavra de amor. 'Eu já te falei de tudo, mas tudo isso é pouco diante do que sinto'. Guerreiros são pessoas, são fortes, são frágeis. Guerreiros são meninos, no fundo do peito. Uma canção em defesa dos que lutam pelo dia-a-dia. Gonzaguinha soube captar bem o clima, Fagner soube transmití-lo, e até nos comove. Seu sonho é sua vida e a vida é o trabalho. Uma bela mensagem cantada com toda a convicção.''

Discografia