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    Fagner e Zeca Baleiro apresentam show para ouvir


                                                                        por Fernanda Matos

Quem pensava que da união de um maranhense com um cearense sairia um grande arrasta-pé para ninguém ficar parado, não conhece todos os caminhos que a música nordestina pode levar. Na noite de quinta-feira (11/4) dois grandes talentos que respondem por Fagner e Zeca Baleiro se uniram para montar um dos shows mais intelectualmente corretos e tranqüilos que a Concha Acústica vivenciou nos últimos tempos.

Unidos pela admiração que um tem pelo outro, estes dois cantores mostraram que definitivamente juntar trabalhos que nem sempre caminham no mesmo sentido pode dar muito certo. O que se viu no palco foi a perfeita sintonia entre artistas de gerações diferentes, mas com grandes afinidades musicais além de um Baleiro que ainda não se tinha ouvido e um Fagner que a muito tempo não se ouvia.

Neste show, o cantor cearense, Fagner, abandonou – para a alegria do público e dos críticos – as melodias “para vender” e dedicou toda sua apresentação a novas composições requintadas, além dos seus sucessos da década de 70 que marcaram sua carreira e certamente ainda estão presentes na cabeça dos seus fãs.

A noite foi surpreendente, sobretudo para o público acostumado com o ritmo acelerado dos shows de Zeca. Ver “de cara” as pessoas sentadas nos bancos da Concha como se estivesse em um espetáculo em alguma cidade européia, em uma apresentação destes dois músicos era para ficar chocado.

No repertório estavam as canções dos dois nordestinos, além de três músicas compostas em parceria para o momento. Aliás, antes de anunciar o que foi cantado, vale elogiar a iniciativa de um cantar a música do outro, além das novas roupagens dadas a algumas composições.

Contando com a ajuda de músicos como Tuco Marcondes, no violão e na guitarra, além de Adelson Silva, no piano e acordeom, foram tocadas canções inéditas como “Dezembros”, “Palavras e Silêncio” e as conhecidas na voz de Fagner e Zeca como: Cavalo Ferro, Canção Brasileira, Você só Pensa em Grana e Babilon.

Ainda bem que segundo Baleiro, a maior riqueza de um musico é a sua diversidade. O encontro foi despojado, como todo bom acústico tem que ser, além de bem cativante. “Eu vim por causa de Zeca, mas quando soube de Fagner fiquei feliz da vida”, disse a fã Alina Lins.

Além de Salvador, estes dois ainda presentearam outras sete cidades com esta apresentação como Fortaleza, São Luís do Maranhão, Porto Alegre e Belo Horizonte. O ponto negativo ficou por conta da duração do show. Um pouco mais de uma hora de espetáculo não sacia a vontade de ouvir boas canções.

   
                            
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